Era um pouco de febre, sim. Se existisse pecado,
ela pecara. Toda a
sua vida fora um erro, ela era
fútil. Onde estava
a mulher da voz? Onde estavam
as mulheres apenas fêmeas?
E a continuação do
que ela iniciara quando
criança? Era um pouco de
febre. Resultado daqueles
dias em que vagava de
uma lado a outro, repudiando
e amando mil vezes
as mesmas coisas.
Daquelas noites vivendo escuras e silenciosas,
as pequenas
estrelas piscando no alto. A moçca
estendida sobre a
cama, olho vigilante na penumbra.
A cama esbranquiçada
nadando na escuridão.
O cansaço rastejando
no seu corpo, a lucidez fugindo
ao polvo. Sonhos esgarçados,
inícios de visões.
Otávio vivendo
no outro quarto. E de repente toda a
lassidão da
espera concentrando-se num movimento
nervoso e rápido
do corpo, o grito mudo. Frio depois,
e sono.